não chove há dias sobre as flores
abertas ao sol, quietas da indiferença
áspera dos mapas, da manhã
maquiada de estrelas enrubescidas
no afago da aurora. A cinza
dos parapeitos cobre as mãos
enlutadas sob o olhar tensionado
de distâncias que retalham a cidade.
é justo o silêncio entre os ruídos.
é justo o vácuo encaixado ao peito.
justa a luz trincada da memória
que entra a rua quieta do teu pouso
como a tinta que descama da parede
e sobre o chão raspado, qual flor se abre,
como um dia ali abriu-me o teu recato.
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