domingo, 5 de abril de 2015

Hermenêutica de J.



Como uma capa de folhas
Verde em seu brotejar
De tenra simplicidade
Que a mão de leitor
Surpreso explora
Como um veludo
E abre o in folio
Lento, com olhos
De quem não quer
Espantar pássaros,
E traga o frescor da página
Como quem colhe frutos
E abre o livro
Como a acariciar a relva
Que estala à tarde
E as letras, sonoras,
Sussurram úmidas
Como a brisa
Que curva o verão
Assim teu corpo abriu-se
A minha compreensão
E os meus dedos, ledos,
Lendo as linhas, pousando
Ao final das frases
O seu espanto
As flores me embaralhando
O pensamento
O respirar entre os capítulos
Apaixonando-me do livro
Que agora não quero lê-lo
Chegar ao fim e deixá-lo
Na prateleira
Então
O tenho aberto
Na escrivaninha
E todo dia volto

Ao frontispício.

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