quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Janela



a vizinha puxa a meia
à altura da virilha
e ajeita a calcinha na fenda

o vizinho lança sua vara de pesca

ela alça os braços, espia as axilas
e sacode os seios

o vizinho gira o molinete

ela sai da cozinha à sala
e do corredor vai ao quarto

o vizinho examina o anzol

a vizinha se espreguiça,
coloca-se em decúbito
e cerra os olhos
acho que sorrindo

o vizinho não fisga nada
que o dia não era para peixe.

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