quinta-feira, 9 de abril de 2015

A musa partida


Afoguei o verso à boca.
Ela me encarava à toa.
Não direi! Não farei isso!
Um poema é um desperdício.

Ela esperou. Não disse nada.
Só me olhava sua risada.
Eu tremia com minha língua.
Não é hora de poesia!

Mas então, não aguentei
e em dez versos eu rimei
os seus olhos, seus cabelos
e outros clichês de permeio,

o sexo e etcetera,
tudo que ali já era,
para enfim no arremate
mandá-la aquilo que a parte

e destilar toda minha ira,
só que o ritmo desandaria
e ainda que o verso minta

não se pode perder a poesia.

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