sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Divagação sobre o espaço

quando o amor se foi
ele ficou sem saber
bem o que fazer
saía de casa sem rumo
andava à toa
entrava em qualquer lugar
e saía sem pedir nada
pensava nela o tempo todo
e até chorou no ônibus
(uma vez e pouco,
que os outros olhavam
com pena, mas sem acudir
nem perguntar)

o dia todo era uma dor
uma vontade de ligar
de bater na casa dela
dizer uma frase forte
e ela toda se entregar

e aí era a imaginação de pernas

mas pensava no ridículo
na cara de cu que ela faria
e se tivesse um outro cara
pelamor! eu não preciso,
e andava na cidade
vendo a hora mais tardia
de voltar para casa

e voltava e o outro dia
era quase a mesma coisa
a dor não saía e o pensamento
teimava em repetir
em qualquer esquina
o sorriso da cara dela
que era belo, admitia

não sabe de onde, um dia,
lhe veio que o cheiro dela
não lhe era apetecível
que dizia suas ideias
muito antes repetidas
invertidas, maquiadas
não frequente sem sentido
e mais isso, mais aquilo
e tudo se amontoando
no encadeamento dos dias

pensou, deve ser o amor
dando o adeus definitivo,
sem dor ou mágoa
até um pouco ferino
e eficaz na injustiça
limpando qualquer migalha
deixando o espaço vazio

o que ele não entende
e contraria a lei da Física
como pode um lugar que é vago
não deixar que um outro corpo
se acomode, ocupe, invada,
como é que pode o vácuo
se apossar assim do espaço
como latifundiário

improdutivo, mas proprietário?

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